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Sem direção

Não toque mais essa canção as folhas da árvore já caíram a terra secou e o sol está forte só o vento faz percebermos que estamos vivos não sei aonde meus passos me levam essas máscaras de carnaval o que restou da festa no chão como numa queda livre foi um momento de delírio um rápido instante de inconsciência e como numa confusa massa de corpos sem saber a direção sem segurança onde pisar rostos, cabelos, cabeças, olhos, risos... Gritos, tremores, medo e aflição! Onde estou, acordei em um mundo normal vivo em um lugar anormalmente torrencial parece que a maré nunca desce, parece que as ondas só batem contra mim o sol me fustiga intensamente a chuva se força a cair e tudo se volta contra mim, ou por mim, para mim não sou o centro da gravidade não sou o centro da atenção me situo num ponto oposto a meu plano e nessa esfera elipsoidal onde o outro lado não fica de ponta cabeça eu estou aqui, sentada e confusa, todos vão naquela direção e foi de onde vim o que ...

Sua sombra

Quase pude sentir sua cabeça pousar em meu ombro partes de um tudo, pedaço do nada. Fecho os olhos e finjo que é real, e num turbilhão de confusão me perco. O real confunde com a fantasia, a noite passa a ser dia e meu viver se torna uma ilusão e mais nada não. O sentido some na poeira meus versos borram o papel você e um pedaço do céu. Não há mais frutos na pereira cadarço de corrente e uma explosão iminente! Lilian Holmes

O reverso do verso

Em meio a essa selva humana As árvores balançam devagar As escadas estão vazias Não há nenhum som A lixeira está ali a um canto As cadeiras desorganizadas Não há harmonia Não enxergo essa linearidade Só tem confusão As mãos no bolso Como quem não quer nada Riscar um papel e outro ali Mascar chiclete e tomar coca-cola Sem se importar em ir pr escola Sentar na carteira e adormecer Porque não ficar em casa Porque não vai correr Fazer atletismo ou cuidar dos porcos Levante da cama Se endireite na carteira Cuspa esse chiclete Devolva a coca pro esgoto Faça as tarefas Ou procure outra coisa pra fazer Arrume a sala e jogue o lixo no lugar certo Argumente, fale besteira Sente na escada e pense Observe a natureza Veja os animais a sua volta Há homens como você Viva entre eles,Você faz parte dessa espécie E afinal, pra que rimar Palavras a combinar Se está tudo uma confusão Nem sei se é meu coração Ou se é a corda do violão Que soltou do corrimão? Lilian Hol...

Anjo do silêncio

Por quanto tempo estivestes adormecida Ou fui eu que agora despertei? Há quanto tempo chegaste Ou sempre estivestes ao meu lado? Por que ceifas vidas ao meu entorno, figuras contorcidas, imagem distorcida. Sem seleção predefinida, hora marcada ou lugar escolhido? Quem é você O que é você Qual o seu nome? Mostre o seu rosto. Mas não se aproxime demais Não adiante o futuro Não é minha hora, não é minha hora Espera, não vai embora Não me abandone nessa escuridão oca e fria, Tenho mais medo dela que de ti Só queria saber seu verdadeiro nome, Guardiã da eternidade, donzela das brumas, Morte... “Requiéscat in pace.” Lilian Holmes

Abismo

Eu ando e vou pisando meus ideais, meus sonhos e tudo que vai tornando-se pó, parte do que já se encontrava ali. Como eu pude deixar, talvez até te matar em mim? Fechei os olhos para o que me pareceu íngreme, mas certo e me deixei levar pela mão, para as delícias enganadoras, como folha ao vento, sem resistir... Eu me tornei mais uma em meio a multidão, talvez quisesse provar do gosto do mundo e de tudo aquilo que ele apresenta de tentador. E assim estive por longo tempo, sem me tocar; quando precisei e pedi, me destes, quando tive medo, me acalmaste, e nenhuma palavra de gratidão te dei em troca, no meu mudo prazer. No fundo de mim e daquele abismo que me abocanha eu queria algo mais, naquele paraíso da perdição não tinha tudo, a sensação mesmo que boa, sempre se esvaía; e busquei desesperadamente o que nem eu sabia ser. Nessa busca incessante eu me tornava cada vez mais vazia, aos poucos fui deixando de lado aquelas pessoas que me sugavam a alma, vaguei pela noite sem destino, e mais...

Se - Djavan

Você disse que não sabe se não Mas também não tem certeza que sim Quer saber? Quando é assim Deixa vir do coração Você sabe que eu só penso em você Você diz que vive pensando em mim Pode ser Se é assim Você tem que largar a mão do não Soltar essa louca, arder de paixão Não há como doer pra decidir Só dizer sim ou não Mas você adora um se... Eu levo a sério, mas você disfarça Você me diz à beça e eu nessa de horror E me remete ao frio que vem lá do sul Insiste em zero a zero e eu quero um a um Sei lá o que te dá que não quer meu calor São jorge por favor me empresta o dragão Mais fácil aprender japonês em braile Do que você decidir se dá ou não

Entre sorrisos e lágrimas

Uma ideia vaga, que ia passando desinteressada me pegou curiosa e emocionada. Fiquei a observar as pessoas e suas expressões, seus comportamentos, e tudo aquilo me gerou um turbilhao de dúvidas. Observei garotos jogando bola, gritam, driblam incrivelmente, e quando faço o que gosto tenho a mesma ou parecida euforia que eles, mas não é essa a minha curiosidade, percebi além disso, que as pessoas sorriem quando estão felizes, choram quando estão tristes ou felizes, mas por que não sorriem quando estão tristes? Eu pensava que a lágrima representa a tristeza e o sorriso a alegria, agora vejo que num tudo que vemos é o que é na verdade. Talvez o sorriso seja uma expressão tão dele, pura e sincera, que conseguimos por isso, diferenciar uma pessoa falsa de uma sincera, pois os sorrisos não são os mesmos, carregado e disfarçado ou desfeito numa alegria pueril, fachada da alma. Já as lágrimas são límpidas, lavam a alma, as dores, e tiram um peso do indivíduo; mostram-nos duas vertentes: a alegr...